sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Estudiantina e a Belle Otero, Théatre Marigny, Paris 1900.


Não é propriamente uma novidade, pois a foto da famosa Otero ("La Belle Otero") acompanhada de uma estudiantina, durante um espectáculo dado no Teatro Marigny (Paris), em Outubro de 1900, já tinha sido publicada anteriormente em Tvnae Mvndi.
A novidade é mesmo a de apresentar o documento completo no qual a foto se insere.
Com efeito, nem mesmo as bibliotecas de referência, como a BnF - Gallica, possuem exemplares da publicação em causa ("Le Théatre") para consulta. Face a isto, a opção é comprar a dita foto avulso[1] ou, como fizemos, comprar a publicação[2] em site de vendas online.

Não faz qualquer sentido que os investigadores fiquem limitados no acesso a documentos históricos desta natureza e que seja necessário pagar por algo que deveria fazer parte do espólio da Biblioteca Nacional e estar à disposição da comunidade.

Aqui fica, portanto, o documento em causa[3], abaixo apresentando a capa da publicação e, depois, as páginas referentes à peça "Une Fête à Seville", na qual toma parte Carolina Otero (no papel de Mercedes) e que, a determinada altura, é acompanhada por uma estudiantina[4]. Parece haver erro tipográfico na numeração das páginas.

São fotos, pelo que a qualidade é inferior a uma digitalização.




Le Théatre, N.º 43, Octobre - I, 1900
(Acervo de J.Pierre Silva)

Le Théatre, N.º 43, Octobre - I, 1900, pp. 20-21.
(Acervo de J.Pierre Silva)


Le Théatre, N.º 43, Octobre - I, 1900, p.20.
(Acervo de J.Pierre Silva)



Le Théatre, N.º 43, Octobre - I, 1900, p.22 (a página ao lado está em branco)
(Acervo de J.Pierre Silva)


Le Théatre, N.º 43, Octobre - I, 1900, p.23 (a página da esquerda não está numerada)
(Acervo de J.Pierre Silva)
















[1] Só a muito custo se consegue encontrar especificamente foto da bela Otero acompanhada de estudiantina.
[2] A revista é de tamanho A3.
[3] O exemplar obtido não tem um bom estado de conservação.
[4] Não há, até à data, indicações que permitam identificar o grupo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O Efémero tuneril


Os anos vividos trazem certamente um olhar diferente sobre as coisas.
Aliás, o distanciamento que o tempo, e por vezes a própria vida, facultam, trazem-nos, por outro lado, aquilo a que se chama de olhar isento.

Muitos de nós viveram, porque próprio da idade e contexto, a febre da premiação e a ilusão de que um currículo repleto de prémios em certames conferiam ascendente e eram, de certa forma, a afirmação cabal da maioridade artística da nossa Tuna.

Não há como fugir a isso: acreditámos que muita da legitimidade inter-pares se alcançava pela ostentação de uma lista de certames ganhos; uma espécie de "pedigree" (ou, em casos mais raros, uma legitimação para "mijar fora do penico").
 
É óbvio que há um conjunto de certames nacionais que se afiguram como uma espécie de "Grand Slam", dada a sua historicidade, e que ter ganho um deles, ou todos, coloca o grupo como que num "Walk of Fame" tuneril.
Não podemos negar a importância, embora relativa, que vencer prémios em festivais de tunas (nomeadamente em alguns) confere, pelo menos a curto prazo.
Também não se pode minorar, de todo, que foi a competição que levou muitas das nossas Tunas a melhorarem e isso ter contribuído para alcançar, tantas vezes, patamares de excelência e.....outras tantas vezes, patrocinar deturpações e desvios da tradição tuneril (há que o dizer e reconhecer sem pejo algum).


Mas, a médio e longo prazo, todas essas vitórias, todas essas taças, campeonatos, derbys são efectivamente lembrados? Servem que propósito para lá do fim imediato em si próprio?
Vanitas vanitatum.
A Tuna é bem mais do que isso e o seu prestígio, aquilo que, aliás, a ela nos agarra, está bem para lá disso, mesmo se, no quotidiano do empírico strictu, a premiação seja o motor que alimenta e agrega.
Com o tempo, vamos inexoravelmente elegendo outros cernes e o que parecia essência passa para segundo plano (quando não é mesmo obliterado).


Se perguntarmos, muito honestamente, a qualquer tuno, para elencar, assim de repente (sem consultar a net) as tunas vencedoras de um FITU, de um TUIST, FESTUNA, Tágides, CELTA, Bracara Augusta, Canto da Sereia, Oppidana, Lethes, Bocage ou FITUA, entre outros, é muito provável que a coisa fique muito curta. Lembrar-se-á certamente daquele(s) em que participou ou assistiu e um ou outro mais, assim avulso. Poderá, certamente, também lembrar-se de alguns prémios nesses certames, especialmente os da sua tuna - caso tenha participado e ele tenha estado.

E retenho a última parte da frase anterior "ele tenha estado".
Sejamos honestos: salvo as tunas ainda na infância, a larga maioria dos muitos prémios ganhos pela própria tuna também se vão diluindo na memória dos próprios membros. Se os viveram, é menor o índice de falhas de memória (mas que acabará por falhar também). Se fazem parte da Tuna em altura posterior, é mais que provável que pouco mais saibam do que aquilo que qualquer um pode ler nos historiais publicados (na verdade, duvido, até, que alguém ande a ler a lista de prémios publicadas, seja de que tuna for).

Isto para dizer o quê?
Simplesmente para constatar um facto: os prémios, o longo currículo (que hoje já não caberia nos libretos que antigamente os certames editavam), acabam por ser mais para consumo interno do que algo a que as demais Tunas prestem atenção (e o público em geral, então, passa totalmente ao lado, diga-se).
Na verdade, salvo o arquivista, o tipo "nerd" que adora decorar a história da Tuna ou aqueles que, como alguns procuraram desastradamente fazer em tempos, patrocinam um suposto "Ranking ATP de Tunas", ninguém quer saber.
Na verdade, a galeria da fama, que muitas das tunas orgulhosa, e merecidamente, ostentam nas suas sedes, acaba por ser mais um tipo de rito interno para elevar a auto-estima e impressionar os novatos.
Olhar para a história gloriosa das conquistas e apelar ao sentido de compromisso e dever de dar continuidade ao legado, é a principal função das vitrines que narram prémios, histórias......memórias que deixarão contudo de ser conhecidas, quando os protagonistas deixarem de as contar.
Se o enfoque for excessivamente colocado na ideia de que servem para recompensar o esforço dos tunos nos ensaios, é capaz de ser, por outro lado, um edificar em terra argilosa. 

Se perguntarmos aos tunos deste século, quem venceu a primeira edição competitiva do FITU, do Bracara, do CELTA, do FITA, do FITUV ...
Isto para dizer que a Tuna não vale pelo número de taças a ganhar pó nas vitrines. Certamente que uma tuna normalmente vencedora ao longo de muitos anos, em diversos certames, tem menor probabilidade de cair no esquecimento, mas há muitas mais coisas que concorrem para dar nome, dar fama e preservar a memória.
Ninguém certamente tem ideia alguma da longa lista de prémios da EUC, mas certamente que a conhecem pelos seus temas[1].

E a par de temas que se tornam intemporais[2], a organização do único concurso de Tunas em Portugal, como é o caso da TUP[3] (OUP)[4], ou ainda a "Mulher Gorda", que a EUL transformou num hit nacional.
Uma Tuna Académica de Évora, que organizou o primeiro ENT (Encontro Nacional de Tunantes), ou a Templária, que acolheu o primeiro jantar do PortugalTunas, ou, ainda, o CD duplo do II e III TUIST.
Na verdade, quando se olha a Tuna portuguesa sob o ponto de vista de factos históricos notáveis, a larga maioria não será certamente preenchida com vitórias e premiações em certames.
Quem estudar as tunas do "boom" daqui a 100 anos, não irá certamente elencar os prémios.

O que será deixado a perdurar?
As fontes mais resistentes serão as fornecidas pela imprensa (pelso periódicos[5]), por libretos, por documentos, fotos impressas[6], por livros (memórias, crónicas, estudos, foto-biografias[7]...), pela discografia editada... Duvido muito que seja a Net o repositório intemporal (tanto assim é que a aventura de elaborar o "Qvot Tvnas" demonstrou precisamente que o que se mete na Net tende a desaparecer em poucos anos).

O que coloca, então, a Tuna no memorial granítico do tempo?
Certamente que um pouco de tudo, mas especialmente o que conseguir ficar impresso[8], o que sobreviver à carne[9]. Não será, estou certo, a parte do currículo relativo a prémios.

Esta longa reflexão vai na linha do que tenho defendido há vários anos, na exacta medida em que vamos, com o tempo, ganhando uma certa equidistância das coisas: há uma "festivalite" instalada que tem marcado de maneira quase ominipresente, a vivência do negro mester.
Se ela é própria em determinado momento da vida (e tem o seu espaço e as suas virtudes), deixá-la fluir depois disso tira-nos a possibilidade de ver para lá desse curto e ilusório horizonte.

Importa olhar a Tuna não como uma equipa competitiva cujo fito é amealhar taças. Isso, como é facto, não é senão glória passageira e efémera.
O que deixaremos de nós, depois de nós?









[1] Os seus dois primeiros discos são, na verdade, o seu maior legado intemporal.
[2] Como o "Ondas do Douro" da TUP ou "Barco de Aveiro" da TUA, entre outros.
[3] Que também pode ser lembrada pro ter sido a primeira a vencer um certame em Espanha.
[4] Assim como a tuna que o venceu: TAULP.
[5] Que os fundos, bibliotecas e hemerotecas preservam.
[6] Publicadas em revistas, livros, jornais ou simplesmente guardadas em álbuns.
[7] Algumas tunas possuem já algum material publicado.
[8] O que se conseguir, de algum modo, preservar (e manter público) digitalmente por décadas.
[9] Recorda-me isto uma passagem do filme "Tróia", em que a mãe de Aquiles lhe diz que se ele não partir para a guerra, terá descendência e, quando morrer, será lembrado pelos filhos e pelos netos, mas depois dos bisnetos cairá no esquecimento. Mas que se partir, morrerá, mas será lembrado para a eternidade (porque será narrado nas crónicas, nos contos, nos romances, nos livros de história).

A palavra Tuna com origem em "Thune".


A palavra TUNA é unanimemente considerada pelos filólogos, linguístas e dicionaristas, como tendo origem no termo "Thune", usado na gíria francesa a partir do séc. XVI/XVII (embora o termo seja anterior e usado desde o séc. XIII, pelo menos) para designar a esmola e, por arrasto, os falsos mendigos ("thuneurs" ou "chevaliers de la thune") governados em Paris por um "Roi de la Thune" (rei da mendicidade), senhor da Côrte dos Milagres (porque, de dia, eram mendigos aleijados que mendigavam e, à noite, regressando ao bairro, ficavam "curados milagrosamente").
Sobre isso fala (embora sem se alongar) o seguinte artigo do "Le Figaro":




Esta teoria está contemplada e pormenorizadamente explicada em Qvid Tvnae (entre outras teorias também apresentadas), nas páginas 65-84, sendo, aliás, a única obra, até hoje, a explicar os prós e contras de cada uma das teorias em torno da origem da palavra TUNA.
Podem conferir.

Continua "Thune" a ser a mais sólida e cientificamente comprovada origem do termo  TUNA.

Mais tarde, como sabemos, o termo passará a ter outras significâncias, todas elas enraizadas na ideia da mendicidade, da busca de esmola e sustento ("correr la tuna" - ir em busca da esmola), a vida de ócio e vagabundagem (baseada na obtenção de sustento sem trabalho) e, desde o séc. XIX, designando grupos musicais com alfobre nas "estudiantinas" de Carnaval.

domingo, 21 de julho de 2019

Estudiantina espanhola vai parar à prisão, Madrid 1904


Uma notícia assaz curiosa, sobre uma estudiantina madrilena que, em Fevereiro de 1904, é presa e, depois, metida no cárcere.

Já em Qvid Tvnae, se tinha levantado a questão da politização das estudiantinas/Tunas e do papel que teriam tido nos movimentos republicanos. Parece cada vez mais clara a teoria de que muitas estariam alinhadas com os ideais republicanos e com algum activismo subversivo. 

(Le Stéphanois, 4.º Ano, N.º 8486, de 07 de Fevereiro de 1904, p.2)

Neste caso, o artigo refere que, em Madrid,  uma estudiantina se tinha disposto a fazer uma Serenata, sob a janela do presidente do círculo republicano.
Contra o que seria expectável, pôs-se a tocar "Marselhesa" (hino francês, adoptado em diversos países como uma espécie de  hino republicano).
A polícia deu então ordens para cessar tal "afronta".

A estudiantina em causa, obedecendo, foi tocar o hino dentro de portas, pelo que se gerou a consequente confusão, com a polícia, por um lado, a invadir o local e os republicanos presentes (e a estudiantina), por outro, a entoarem novamente o dito hino.

No final, segundo reza o artigo, o inspector de polícia prendeu o presidente da estudiantina, o presidente do círculo republicano e levou-os para o posto de polícia, seguidos dos manifestantes que entoavam coplas políticas (recentemente proibidas nos teatros).

A polícia prendeu diversos manifestantes, assim como o presidente do círculo da juventude escolar republicana.

Termina o artigo dizendo que os estudantes (da estudiantina) presos foram metidos na cadeia.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Uma Estudantina Portuguesa em França, em 1893.

A estupefacção é partilhada, caros leitores.
Não tínhamos, nem temos, dados da presença de qualquer estudantina/tuna portuguesa em França nessa época.

O mistério é tanto maior quanto o facto de não haver qualquer menção à proveniência e constituição deste grupo.


La République du Midi, 46.º Ano, N.º 86, de 27 de Março de 1893, p.3.



Apenas se sabe, pelo relato indireto, que um grupo de pessoas da vila francesa de Pézenas (região de Hérault), após terem visto actuar a dita estudiantina portugesa, no Circo Pinder, decidiram, também eles, formar a sua.

Que estudantinas fossem contratadas para se associarem a espectáculos itinerantes (circos, teatros de variedades, etc.), já se sabia. Mas que uma estudantina portuguesa o tivesse feito, é novidade.

NOTA: Já agora, em adenda, referir que o "Circo Pinder", de pendor equestre, foi criado em Inglaterra, em 1854, pelos irmãos George e William Pinder, dando o seu primeiro espectáculo em França no ano de 1868. Dado que o número de deslocações era muito elevado, decidiram fixar-se em França em 1904, sob a direcção de Artur Pinder, filho de William.

Quem é esta "estudiantina portugaise"?
Não o sabemos. 
Muito provavelmente, é um grupo de foro civil (já que se fossem estudantes é certo que isso seria mencionado), certamente criada para o efeito (algo comum nesta época e contexto de espectáculos itinerantes de variedades). 
Ainda assim subsiste  o mistério.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

QVOT TVNAS - Censo de Tunas Académicas em Portugal (1983-2016)

Edição de Abril de 2019 (embora lançado apenas entre Maio/Junho), esta é uma obra pioneira no que se refere a censos de Tunas, seja a nível nacional quer mesmo a nível internacional.


Pioneira pela metodologia e rigor, mas igualmente, no caso de Portugal, porque se trata do primeiro recenseamento objectivo e exaustivo da evolução do chamado "Boom de Tunas", preenche uma lacuna que há muito precisava de resposta: conhecermo-nos melhor em termos de expressão numérica (uma ferramenta que permite olhar e compreender o fenómeno sob vários prismas) e acabar com números atirados ao calhas.










Nota: Uma pequena gralha na Nota Introdutória que refere 458 Tunas referenciadas, quando são 459.


O livro estabelece um estudo meticuloso do quando, quantas e que tipo de Tunas académicas existiram em Portugal entre 1983 e 2016.
Com 459 Tunas inventariadas (455 delas fundadas a partir de 1983), chega-se a 2016 com 284 grupos activos, tendo ficado pelo caminho 175 que, entretanto, desapareceram.
É tudo isso que se pode descobrir, passando os olhos por tabelas, gráficos e textos que contextualizam, e que possibilita perceber como aqui chegámos.

















Rigoroso e transparente, apresenta a lista de todas as tunas repertoriadas, os respectivos anos de fundação e, no caso de muitas, de extinção ou suspensão de actividade, num levantamento por cidades e regiões, bem como por tipologia (masculinas, femininas e mistas).

Um contributo para a preservação da memória e para futuros estudos sobre as Tunas académicas em Portugal, mas, também, demonstração cabal de que não basta fazer listas de tunas e chamar-lhe "Censo", pois não basta coligir informação tirada da net às 3 pancadas, mas saber também tratá-la, conferi-la e compará-la com fontes diversificadas.

Abaixo apresentamos a entrevista publicada na revista Legajos de Tuna, N.º 5 (Ano III, de Junho de 2019), pp.106-107:












quinta-feira, 4 de julho de 2019

Estudantina de Lisboa em Paris, 1994

Uma referência encontrada em periódico francês "Univers Cité", sobre a presença da Estudantina Universitária de Lisboa em Paris.

Univers Cité, N.º 5, de Abril de 1994, p.5.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

domingo, 23 de junho de 2019

Director da Estudiantina Pignatelli de 1900, dirige a Estudiantina Lombarde de Paris, 1902.

A presença da Estudiantina de Zaragoza (Pignatelli) na Exposição Universal de Paris não é, para quem segue o trabalho publicado pelos diversos tunólogos da nossa comunidade ibéroamericana, uma novidade, por  si mesmo.

(Imagem  da Estudiantina de Zaragoza - Pignatelli, na Expo de Paris, em 1900, 
retirada de uma curta metragem dos Irmãos Lumière - Catalogue Lumière)

O que aqui trazemos de novo, complementando a informação já avançada por Félix Sárraga, no seu artigo "La Estudiantina Pignatelli, otra agrupación que viajó a América en el siglo XIX" (Tvnae Mvndi, 2014-19), é que o referido J. Sancho, director do dito agrupamento, passa a dirigir a Estudiantina Lombarde, de Paris, em 1902.


Le Journal, 11.º Ano, N.º 3672, de 22 de Outubro de 1902, p.6.

Em 1903, temos novamente notícia de que J. Sancho dirige a Estudiantina Lombarde de Paris.

Le Journal, 12.º Ano, N.º 8819,  de 10 de Março de 1903, p.2.

Estudiantina em Buenos Aires, 1880

Notícia e imagem de uma estudiantina em Buenos Aires.


Le Monde Illustré, 24.º Ano, N.º 1200,  de 27 de Março de 1880, pp. 196 e 198.

sábado, 15 de junho de 2019

Estudiantina(s) Espanhola(s) no teatro Nouveau Cirque, "Foire de Seville", em Paris



A presença de estudiantinas no teatro "Nouveau Cirque", em Paris, pode ser rastreada desde, pelo menos, 1885, inseridas muitas vezes em grandiosos espectáculos de variedades, como aliás disso faz referência Rafael Asencio González , em seu artigo "La Estudiantina en la circense 'pantomima española' con especial atención a 'La Foire de Seville' de 1887 en el 'Nouveau Cirque' de París ", publicado em 2014 por Tvnae Mvndi.

Havia um especial gosto pela cultura espanhola e eram inúmeras as companhias que levavam dansas,  artes, música e costumes castelhanos até ao público francês.

Apresentamos, abaixo, 3 cartazes que ilustram essa presença ao longo de finais da década de 1880, complementando e actualizando a data de edição dos mesmos (já publicados no acima mencionado artigo citado de Rafael Asencio).


1885



(BNF)

                                                   1889

(BNF)

                                                   1890


(BNF)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Estudiantina Fígaro em Paris, 1890

Encontrou-se um cartaz de um espectáculo da "Troupe Chivo", dado em Março/Maio de 1890[1], em Paris[2], em que uma das gravuras vem legendada como sendo a Estudiantina Fígaro - inserida, portanto, nesse espectáculo de feira de Sevilha, com danças andaluzas e dansas com ciganas de Granada.







domingo, 5 de maio de 2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Estudiantinas e Tunas, uma propriedade pública.


Não deixa de ser estranha a questão que se tem vindo a levantar em algumas geografias tuneris sobre a suposta pertença exclusiva de "Tuna" ao meio académico.
Com efeito, corre tinta, em abundância, sobre a teoria de que  "Tuna" é coisa exclusiva de estudantes. Mais: que é coisa exclusiva de universitários.

Por outro lado, essa mesma corrente de pensamento, acha normal que tunas que não sejam universitárias usem a denominação "estudiantina", até mesmo as que nem estudantis são.

Ora, meus caros, isso assume um paradoxo absoluto. E já o abordámos aqui, em Fevereiro passado.

Antes de mais, convenhamos que "Estudiantina" e "Tuna" são dois nomes para uma mesma realidade. São factos históricos e documentados indesmentíveis (grupos houve que, no passado, até ostentaram, concomitantemente, ambas as designações).

Paradoxo, porque se há um termo que é, pela sua natureza e origem, identificativo  e remete, directamente, para o meio académico/estudantil, é precisamente a denominação "estudiantina", a qual, originalmente, designava (e designa) grupo de estudantes e, mais tarde, os grupos musicais compostos desses mesmos estudantes.


Por que razão, então, os "puristas" admitem o uso de "Estudiantina" a grupos que podem nem ter estudantes nas suas fileiras, mas, depois, afirmam, peremptoriamente, que "Tuna" é coisa exclusivamente académica (ou, numa visão ainda mais fundamentalista, exclusivamente de foro universitário)?

Responderão que, como ainda no séc. XIX o meio popular copiou e se apropriou da designação "estudiantina", então os estudantes cambiaram para outra designação: Tuna (para identificar grupos estritamente académicos e diferenciá-los dos populares).

Só que esquecem, esses "puristas", que também a designação "Tuna" sofreu do mesmo processo, e isso desde a segunda metade do séc. XIX, ou seja, ambas as designações "Estudiantina" e "Tuna" foram, quase simultaneamente, adoptadas e apropriadas pelas classes populares. Aliás, em Portugal, por exemplo, o termo "Tuna" enraíza-se mais rapidamente do que noutros países. Com efeito, ainda o termo "Estudiantina" era vulgarmente utilizado em inícios do séc. XX, em Espanha e outros países, e já em Portugal tinha  como que desaparecido (e já só havia "Tunas").

Mas olhemos a outro aspecto deste paradoxo: sabe-se que os estudantes adoptaram o termo "Tuna" para distinguirem as suas "estudiantinas" das que eram compostas por populares ou falsos estudantes.
Adoptaram um termo que remetia directa e exclusivamente para o meio académico? Não!

O termo "Tuna" que, simplificando, designava originalmente esmola/dinheiro, está muito ligado ao que é conhecido por "correr la tuna", ou seja à vida ociosa e vagabunda de quem vivia de expedientes para se governar (arranjar sustento). 

Ora esse "correr la tuna", e as próprias pessoas a que se dava o cognome de "tunos", não era coisa exclusivamente de estudantes. A maioria nem o seria, porventura.
Claro está que nos chegam essencialmente exemplos de estudantes, dado o prestígio e o romantismo criado em torno de uma figura que gozava de privilégios e de fama, mas a verdade é que o termo "Tuna" nunca foi exclusivo do foro académico.

Portanto, quando os estudantes adoptaram o termo "Tuna", não se apropriaram de uma designação que não lhes pertencia em exclusivo? Não copiaram uma designação que em termos da filologia, não tem qualquer relação com estudantes, de algo que não tem foro  estritamente académico?

Então, por que razão temos "puristas" a reclamar "pureza de tuna"? Estamos novamente a reeditar os velhos tempos da "pureza de sangre"?
Com que legitimidade os "puristas" defendem a "Tuna" como coisa universitária, ignorando a história e património de tunas/estudiantinas com mais de um século de existência ininterrupta?

É muito estranho, para não dizer incoerente, portanto, que se defenda que "Tuna" é do universo exclusivo do meio académico (e que alguns radicais pretendem circunscrever ao meio universitário), mas se abandone o termo que, historica e significativamente é, até, o mais correcto e genuíno, para designar grupos musicais estudantis.

Não tem qualquer fundamento, nem faz qualquer sentido, com efeito.

Que importa que existam tunas populares chamadas "Tunas" (e que existem há mais tempo que qualquer tuna universitária)? 
É essa a preocupação ou não será, na verdade, o facto de haver tunas a fazerem-se passar por universitárias não o sendo? Então a questão não é o uso de "Tuna", mas de quem se disfarça daquilo que não: universitária/académica.
Por alguma razão as tunas académicas utilizam designações adicionais (de faculdade, académica, universitária, etc.) para se identificarem.

Significa que existem tunas que não são académicas, que não são universitárias, de faculdade, de distrito.... mas que são tunas, porque são grupos de cordofones.

Parece-me, a mim, muito mais inconsistente que haja estudantinas compostas por não estudantes, dado que a própria designação estudantina implica uma natureza académica, e mesmo assim, até nesse caso, basta adicionar "académica", "universitária" ou outra, para se distinguir perfeitamente a natureza do grupo e diferenciá-lo de um qualquer oriundo de outro meio.

Já a teoria de que "Tuna" é exclusivo dos universitários, e de que só deveria designar grupos universitários, é algo ridículo, porque colide com a história, com os factos documentados da existência de tunas académicas, dos mais variados níveis de ensino, desde o séc. XIX (e até hoje).

Temos pena que a história de alguns seja muito curta (ou a queiram encurtar; ou mesmo deturpar), mas o facto é que temos estudiantinas populares com mais de 100 anos ainda existentes (com essa designação encontramo-las em França, Bélgica...), assim como tunas populares ou de liceu, também elas centenárias, a atestar que há certas teorias discriminatórias que não têm pés nem cabeça.

A história das "estudiantinas/tunas" não se começou a escrever e a validar há meia dúzia de décadas. 
Tem mais de um século de património e não podem alguns ter a presunção de (re)fazer a história, escolhendo apenas o que convém, obliterando tudo aquilo que lhes puxa o tapete.
Rigor e metodologia não se apregoam, mas exemplificam-se com isenção e honestidade intelectuais.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Livro FITU, 30 anos de História




O FITU é o certame de tunas mais antigo em Portugal (este ano realiza a sua 33.ª edição) e já parte do património tuneril português.
Para além de edições discográficas, lançadas no passado, o OUP decidiu, este ano, lançar um livro evocativo sobre os 30 anos de história do FITU (1987-2016).

Um livro que recebemos hoje, ofertado pelo querido e fraterno amigo Eduardo Coelho, a quem se renovam os penhorados agradecimentos.

Um belo livro que recorda parte do que foram estas 3 décadas de FITU (e dizemos "parte", porque cada FITU, certamente encheria um livro de memórias), além do testemunho dado por quem nele participou.
Bem recheado de imagens e dados, é sem dúvida uma homenagem merecida à memória colectiva de todos, mesmo se ficou a faltar a lista de prémios atribuídos em cada edição (embora se perceba que adicionaria mais umas quantas páginas).




Um belo presente, sem dúvida, e uma obra que passa a ser imprescindível para quem gosta destas coisas, isto apesar de conter algumas imprecisões[1].


O FITU é o mais antigo festival de tunas em Portugal. Um facto que, por si só, bastaria para o inscrever na história, mas é também um certame com uma reputação construída sobre a experiência de bem fazer, convidando, ao longo destes anos todos, grandes tunas, e com um público aficionado que confere a magia necessária a um evento que se rejuvenesce constantemente.
Parabéns ao OUP, à TUP, a todos os que fizeram, e fazem, do FITU o grande certame que é.
E, uma vez mais, obrigado, Eduardo Coelho, por me teres feito chegar às mãos este precioso livro.




[1] Na p. 13, afirma-se que a Tuna Académica do Porto [nessa altura, também designada de Estudantina] data de 1891, quando é anterior; e afirma-se, na p. 32, que o FITU é o mais antigo festival de tunas ininterrupto do mundo, algo que não corresponde, de todo, aos factos (sendo muitos os certames mais antigos com actividade ininterrupta, desde logo em Espanha, mas não só).