Grande efeméride para mais uma tuna centenária, mais um grupo a comprovar que Tuna não é exclusivo estudantil e que Portugal possui os mais antigos exemplares com actividade ininterrupta no mundo, sejam a nível popular ou escolar.
Parabéns à una Musical ''A Vencedora'' de Vilar de Andorinho (V.N. de Gaia - Porto) pelos seus 100 anos de existência!
terça-feira, 5 de agosto de 2025
100 anos da Tuna Musical ''A Vencedora'' de Vilar de Andorinho
quarta-feira, 9 de julho de 2025
Instrumentos de Tuna, a definição de Tuna.
Mais uma vez
a conversa dos instrumentos de Tuna[1]
e do que é uma Tuna.
Parecia que,
depois de muitos anos de labuta a
esclarecer, a fornecer informação pelos mais diversos meios (no PortugalTunas, pela
PTV, em blogues, através de livros gratuitamente partilhados online, via redes
sociais...), se tinha chegado a um consenso basilar e transversal sobre o que
era uma Tuna e o que a definia como tal ou seja o seu leque instrumental. Um
consenso que não foi imposto, mas que foi aceite em razão da mera observação de
factos documentados ao longo de mais de um século de prática (em Portugal e no
mundo).
Uma definição que ficou catalogada (ver AQUI) e amplamente reconhecida.
Mas parece
que tem vindo a crescer, em gerações mais recentes, um desinteresse por
conhecer e, em virtude disso, um regresso ao ignorar da res tvnae e ao
desvirtuar daquilo que é cerne identitário.
Não nos
vamos referir ao abjecto caso de quem acha que um grupo que só canta é uma
Tuna, pois de nada vale tentar trazer à razão quem é militantemente estúpido[2].
O que está
em causa são os que, algumas vezes sem má intenção e por desconhecimento, acham
lícito e adequado contaminar o leque instrumental da Tuna com aquilo que lhe é
alheio e descaracteriza.
Tal como já
se fazia referência em obras literárias e artigos, dizer que não é o uso
pontual de um instrumento (um trompete ou quejandos) num tema onde é essencial
(porque assim o é na versão original, por exemplo) com o seu uso constante[3].
E não, não é
questão de “evolução”, sobretudo quando colide com uma pedra basilar que define
a Tuna: tradição.
| Publicado no contexto do blogue Notas&Melodias, relativo à Tradição Académica/Praxe, este texto, do Eduardo Coelho, adequa-se perfeitamente à Tuna. |
Mas não é
apenas ver em palco instrumentos alheios à Tuna (o que por si só não apenas
desvirtua mas também, de certo modo, discrimina) usado abusivamente e sem
restrição alguma, mas começar a ver cartazes (que publicitam actividades, por
exemplo) onde desaparecem os instrumentos próprios e identificativos de Tuna
para se colocar tunos a tocar saxofone, trombone, bombardino ou quejandos. O
grave é que se perverte a imagem identitária da Tuna e se passa, para o público
menos conhecedor, uma ideia errada.
Já não
bastando o cliché de que tunas são apenas grupos universitários (varrendo,
dolosamente, as tunas dos demais graus de ensino e as tunas populares), surge
agora esta situação gráfica que só vem contribuir para confundir e difundir “fake
news”. E recordemos a época em que iconograficamente (para não falar de temas musicais e estúpidos prémios festivaleiros de "Tuna mais Bebedora") se desenhavam tunos ébrios, associados à bebedeira e aos copos (imagens, autocolantes, cartazes), reforçando o cliché generalizado dos tunos e das tunas como uma cambada de alcoólicos inveterados e sem civismo.
Esta
despreocupação, este “qual é o mal?” é apenas indício de uma geração que chegou
mais recentemente à Tuna sem qualquer background e, pior, sem qualquer hábito
ou preocupação em saber, em se inteirar, tentar compreender o fenómeno. Mesmo
se damos de barato que, durante alguns anos, a comunidade viveu “apavorada” com
o que se previa ser a redução drástica no recrutamento e desinteresse pela Tuna,
levando, porventura, a apertar menos nos critérios de selecção/formação, há
também que reconhecer que é uma marca dos tempos. De facto, esta nova geração
vive de redes sociais e de consumos rápidos, efusivos e efémeros, que não exigem
tempo, esforço, dois dedos de testa e, em suma, preocupação
(compromisso, legado, rigor…) com quem vem a seguir e aquilo que é deixado.
Tínhamos
saído de um tempo de “a minha noção de tuna” resultante dos mitos que
subsistiam e da falta de informação documentalmente credível (mas numa geração
que, geralmente, não virava a cara a provas e factos), para “a minha noção de
tuna” que resulta do desinteresse, do não querer saber (numa geração que,
geralmente, não tem qualquer contacto com conhecimento académico/livresco sobre
a tradição que vivencia e é muito pouco exigente com a pouca informação que
encontra/procura[4]), enveredando pelo "acho que" e conferindo-se a si mesmo propriedade para se pronunciar e transformando a ignorância em "sapiente virtude".
Quando não se sabe o que é uma Tuna (mas se acha saber só porque se faz parte de uma), quando se tem a presunção de considerar “a minha noção/conceito/ideia de tuna é” como válido[5]… abre-se a porta ao regresso do obscurantismo tuneril, à diabolização do conhecimento e de quem o transmite, ao descrédito perante o público e a própria comunidade.
[1] Vd O Alfabeto
das Tunas, artigo de 03-12-2016.
[2] Vd Ricardo
Tavares - A
Aventura Instrumentalmente Natural. Blogue As Minhas Aventuras na
Tunolândia, artigo de 08-04-2025.
[3] Que
parte normalmente do desejo que fulano ou sicrano que toca X ou Y instrumento
alheio integre a Tuna (ou porque é um tipo porreiro ou porque há falta de
instrumentos e não se quer esperar que alguém aprenda os que fazem falta).
[4] Tanto mais
grave quando se traduz em apresentações/artigos medíocres e pejados de erros
científicos, em “jornadas” sobre Tunas ou em outras intervenções publicadas
online.
[5] Vale a
pena (re)ler Ricardo Tavares, no blogue As
Minhas Aventuras na Tunolândia - A
Aventura do "Eu-É-Que-Sou-O-Plesidente-Da-Junta!", artigo de
25-05-2017 e A
Aventura Dunning-Kruger, artigo de 24-03-2021, entre outros.
Parte superior
do formulário
terça-feira, 24 de junho de 2025
Luso Can Tuna...uma argolada!
Estamos em 2025 e já não há desculpa, nem mesmo sendo um grupo da diáspora.
Pede-se mais rigor e exigência em quem cursa Ensino Superior e pretende dar continuidade a uma tradição secular.
Conhecer aquilo de que se faz parte é o mínimo que se pede, sobretudo quando é para exposição pública/publicada.
Isto, para lá do facto de não explicar as imagens apresentadas no início do vídeo (contexto histórico) nem citar qualquer fonte onde as mesmas foram obtidas.
Por mais simpatia que nos mereça a Luso Can Tuna, não se pode aceitar que ainda se repita a falsa narrativa da Tuna com origens medievais, como está patente no vídeo colocado no Youtube, quando está mais que comprovado que é um fenómeno com raízes no séc. XIX sem nenhuma relação com qualquer época anterior.
Quando se pesquisa sobre algo, com vista a criar um conteúdo que se pretende tornar público, então deve haver o consequente esforço de produzir algo que não comporte erros grosseiros.
Estamos certos que os estudantes em causa, quando o lhes pede (ou pedia, para aqueles que já se formaram) um trabalho académico, não fazem pesquisas e se detêm na primeira ocorrência que lhes surge na web. Muito menos, estamos em crer, quando se trata de algo que é muito próprio da tradição ibero-americana, não fazem essa pesquisa em inglês, mas alteram as buscas para que estas se façam em português/espanhol e se centrem em resultados obtidos nessas líguas e países.
Será que convivem e conhecem o que se faz deste lado do Atlântico? Conhecem o PortugalTunas (com site, FB, Instagram) e o PortugalTunas TV (com os seus programas informativos e formativos constantes no Youtube), o grupo de FB "Tunas&Tunos", a AHT -Academia de História da Tuna (também com canal de Youtube), os ENT (Encontro Nacional de Tunos), o MFT (Museu Fonográfico Tuneril), os blogues dedicados como "Além Tunas", "As Minhas Aventuras na Tunolândia", "Portus Cale Tunae", "Memorabilia Tuneril Portuguesa", para além da Revista "Legajos de Tuna" (que possui um grupo no FB) ou mesmo da associação "Tunae Mundi"... e ainda o novel programa "PodcasTuna".
Será que conhecem a bibliografia editada, grande parte dela disponível online e publicitada na maioria do grupos/iniciativas acima mencionadas?
Seria de esperar que sim, tratando-se de uma Tuna com ligações a Portugal e, portanto, à nossa comunidade tuneril.
sábado, 14 de junho de 2025
A Tuna a Património Cultural Imaterial de Espanha
A Tuna Espanhola merece, sem dúvida, ser reconhecida como Património
Cultural Imaterial de Espanha, e é nesse sentido que o processo foi agora
iniciado formalmente, mas é lamentável que isso seja feito à custa de mentiras
históricas. Não há fundamento para afirmar que a Tuna seja produto de sopistas
e trovadores, muito menos que seja tão antiga quanto as universidades em
Espanha e que a Tuna tenha existido antes do século XIX.
![]() |
| Ver documento completo AQUI. |
É triste e lamentável que os mais importantes investigadores hispano-americanos do fenómeno tuneril tenham sido totalmente ignorados, simplesmente para deturpar os factos e distorcer a verdade histórica da Tuna. A Tuna Espanhola só surgiu no século XIX, mas teimam em querer viver na fantasia e na mentira.
Não havia necessidade de falsificar a história para tentar alcançar o reconhecimento desejado, mas, vindo de quem veio, nada mais se poderia esperar.
Algumas fontes essenciais e primárias sobre a investigação da
Tuna foram deliberadamente omitidas (e aqui só mencionamos as que estão
acessíveis na web sobre as falsas origens da Tuna):
Roberto Martínez, Rafael Asencio, Raimundo Gomez e Enrique Pérez - Tradiciones en la Antigua Universidade; Estudiantes, matraquistas ytunos. Univerisdad de Alicante, 2004.
COELHO, Eduardo; SILVA, Jean-Pierre, SOUSA, João Paulo e TAVARES, Ricardo - QVID TUNAE?, A Tuna Estudantil em Portugal. CoSaGaPe, 2011-12.
Félix O. Martín Sarraga - Mitos y evidencia históricasobre las Tunas y Estudiantinas. Tvnae Mvndi, 2017.
Rafael Asencio González - Las Estudiantinas del AntiguoCarnaval Alicantino; Origén, contenido y actividad benéfica (1860-1936). Universidad de Alicante, 2013.
Los escolares en las Partidas de Alfonso X. RevistaLegajos de Tuna, n.º 2, de Diciembre de 2017.
La Sopa Boba y los Sopistas (I). Revista Legajos de Tuna,n.º 3, de Junio de 2018
La Sopa Boba y los Sopistas (II). Revista Legajos de Tuna,n.º 4, de Diciembre de 2018
EL ORIGEN DE LAS TUNAS Y ESTUDIANTINAS I
EL ORIGEN DE LAS TUNAS Y ESTUDIANTINAS II
Estudantinas/Tunas
em Espanha - 1.ª parte.
Estudantinas/Tunas
em Espanha - 2.ª parte.
Além disso, algumas instituições de investigação tunante, com as quais os principais tunólogos do mundo colaboram, foram propositadamente ignoradas:
- Academia de Historia de la Tuna;
- Tvnae Mvndi (e o que foi produzido nas várias edições do Congreso Iberoamericano de Tunas);
- Museo Internacional del Estudiante.
Nenhuma de essas três instituições de referência subscreve as mentiras expressas
no capítulo sobre "origens documentadas". Essas origens não estão documentadas e baseiam-se em distorções e interpretações abusivas das fontes.
Mais grave ainda: o Museu Internacional de Estudantes é mencionado para engalanar, embora não apoie
a narrativa fictícia e falsa de que a Tuna tem origens medievais ou é tão
antiga quanto as universidades espanholas.
As demais explicações apresentadas estão repletas de
imprecisões e erros, e não há fontes fiáveis conhecidas que sustentem muitas
das afirmações constantes.
Fala-se de cerca de 260 tunas na Espanha, mas nenhum censo ou
estudo exaustivo e rigoroso foi jamais realizado sobre o assunto (nem há qualquer fonte fiável que o ateste). [1].
Fala-se "tanto da historiografia quanto de vários autores clássicos", mas sem mencionar as obras e quais os ditos autores; e sem fazer nenhum trabalho real para distinguir o que é narrativa ficcional do que é pesquisa e factos objetivamente documentados e comprovados pelos investigadores mais conceituados.
Estranhamente, ignoraram, até, o único documento sobre historiografia tunante: uma palestra dada online (para o grande auditório de TUDI - Tunos Decanos de Iberoamérica) para todos os países ibero-americanos, pelo historiador/tuno Héctor Valle Marcelino (ver AQUI).
E, já agora, sublinhar que se é facto que a Tuna tem expressão fora de Espanha, é quase só em Portugal (que, pelas contas que eles fizeram, até terá mais Tunas que Espanha) e América Latina. Em França só existe a Tuna de Pau, no Canadá só há a Luso-Can Tuna (de matriz portuguesa) e nos Países Baixos algumas tunas (quase só só resistindo a de Eindhoven). Não existem tunas na Bélgica, Alemanha, China ou Japão, como falsamente referido no capítulo da "Dimensão Internacional" (e estranhamente nem referem a Suíça, onde existe a Tuna Herlvética - também de feição lusitana). Existiram Estudiantinas em várias partes do mundo e subsistem algumas, mas não são de cariz universitário nem o conceito de Tuna defendido pelos proponentes é compatível com considerar esses grupos como Tunas - caso contrário teriam de englobar as suas próprias orquestras de "pulso y púa" (e a proposta fala apenas, recordemos, de Tunas Universitárias, deixando de fora todas as demais escolares e todas as civis). Enfim, um rodilho de incoerências fruto da incompetência do(s) proponente(s).
Aqueles que prometeram que a Tuna seria considerada Património
Imaterial da HUMANIDADE (pela UNESCO) terão ainda terão de cumprir a sua promessa, propalada “urbi et
orbi” de fazer da Tuna património mundial[2].
O ridículo é esta candidatura continuar a receber o apoio dos mesmos que foram postos fora da equação, as mesmas pessoas que achavam que a candidatura
iria englobar os seus próprios países e tunas (foram bem comidos), quando é simplesmente impossível englobar tantos países.
Outra coisa importante: se, e quando, a declaração vier a ser promulgada, ela só vinculará Espanha. Tuna Portuguesa, Tuna Chilena, Tuna Mexicana... ou Tuna "francesa" não estarão englobadas (e muito menos vinculadas). E seria preciso que em cada país onde há tunas houvesse o mesmo processo de reconhecimento da Tuna como património cultural imaterial, para, remotamente, ser possível falar-se na candidatura da Tuna como Património da UNESCO. O que os tótós ainda não perceberam é que há muito mais probabilidade de a Tuna Espanhola vir a ser, uninominalmente. Património da UNESCO do que a Tuna no seu conceito mundial (englobando os demais países). E esse reconhecimento, a acontecer, não é extensível a terceiros mas exclusivo de um só país!
É uma boa notícia que a Tuna possa vir a ser considerada património cultural imaterial da Espanha? Sim, mas não à custa da verdade e certamente não para promover mentiras e o seu promotor.
Esperemos que, a partir de agora, haja mais rigor na análise das fake news que constam da candidatura e que não seja tudo resumida ao factor “cunha”, onde valem mais as “connections” e conhecimentos pessoais do que o real rigor do conteúdo. Esperemos que não se repita o chauvinismo do franquismo onde o que importava era enaltecer e valorizar a cultura espanhola de qualquer jeito (e a qualquer custo), mesmo que cavalgando mitos, narrativas ficcionadas e promovendo mentiras absolutas. Mas duvido que, face à tentação do facilitismo e do ganho "nacionalista", haja resistência; acredito mais que muitos olhos se fechem. Afinal, uma mentira bonita sempre é mais interessante que uma verdade aborrecida.
Tenho, pois, sérias dúvidas que sejam colocados entraves de cariz científico, face ao sentimento nacionalista que estas coisas suscitam nos decisores políticos. Continua a valer mais a fantasia que engana os crédulos e preguiçosos do que a história real que exige verticalidade e honestidade intelectual.
Por princípio, todos os tunos apoiam a candidatura (sejam espanhóis ou não).
Por honestidade, todos deveriam criticar os fundamentos em que a mesma assenta e recusar a mesma nestes moldes envoltos em "fake news"! Questão de honestidade intelectual e valores(conquanto as pessoas estejam informadas e não vivam ainda em novelas medievais).
Todos certamente apoiamos o resultado final de a Tuna Espanhola vir a ser Património Imaterial de Espanha (desengana-se quem acha que vai estender-se a outros países), mas não vale tudo!
Os fins não justificam nunca os meios. A falta de honestidade intelectual, o falsear factos e introduzir dados inventados (como o n.º de tunas existentes) é uma metodologia inaceitável num contexto de Ensino Superior.
Para fazer mal feito, qualquer um faz! E se deste lado há crítica, bastaria, apenas e só, comparar o que já foi feito pro quem "critica" e o nada que foi feito por quem quer agora destaque sem pergaminho algum nestas matérias! É essa a diferença!
[1] Só Portugal o fez, à data.
[2] E até alvo de alguns alertas feitos no PortugalTunas:
Do
Fracasso de uma Proto-Candidatura à UNESCO (26-09-2019), Sobre uma
qualquer propositura à UNESCO (27-07-2021).
quarta-feira, 11 de junho de 2025
Tuna Universitária de Toulouse (França) em 2 discos de vinil
Eis um dado que ficou por detectar a tempo da obra "A França das Estudiantinas" e que é, a todos os títulos, surpreendente.
Já conhecíamos todos a Tuna de Letras de Pau (um grupo já com mais de 3 décadas, com discografia editada e baseado na matriz espanhol), mas esta agremiação universitária é uma novidade.
Não foi possível conseguir muitos dados, porque inexistentes na web, à data, daí que as únicas referências existentes sejam dois discos em vinil (dois EP) de finais do anos 1960 e fotos avulso conseguidas no FB; e que colocam a actividade da tuna entre 1969 e 1972.
![]() |
| José dos Santos no grupo FB "Tu sais que tu viens de Toulouse quand..." |
terça-feira, 10 de junho de 2025
Por Salamanca, continua a ridícula narrativa dos mitos.
Não há outro modo de o dizer: é falso, é mentira e é de uma falta de honestidade intelectual que ultrapassa o bom-senso.
Apesar de, por diversas vezes alertados, de confrontados com factos, e com a ausência de prova documental sobre as afirmações qu efazem, continuam a colocar a origem e antecedentes das Tunas na idade média, nos trovadores, nos sopistas, goliardos e quejandos!
Infelizmente, a ignorância não dói. Mas pior: é propalado por universitários e outros já formados. A fake news não é um exclusivo de gente iletrada, como se comprova!
Não, a Tuna não tem 8 séculos! Não nasceu na idade média nem os sopistas, trovadores ou goliardos são predecessores das Tunas! Isso é falso!
Roberto Martínez, Rafael Asencio, Raimundo Gomez e Enrique Pérez - Tradiciones en la Antigua Universidade; Estudiantes, matraquistas y tunos. Univerisdad de Alicante, 2004.
COELHO, Eduardo; SILVA, Jean-Pierre, SOUSA, João Paulo e TAVARES, Ricardo - QVID TUNAE?, A Tuna Estudantil em Portugal. CoSaGaPe, 2011-12.
Félix O. Martín Sarraga - Mitos y evidencia histórica sobre las Tunas y Estudiantinas. Tvnae Mvndi, 2017.
Rafael Asencio González - Las Estudiantinas del Antiguo Carnaval Alicantino; Origén, contenido y actividad benéfica (1860-1936). Universidad de Alicante, 2013.
Los escolares en las Partidas de Alfonso X. Revista Legajos de Tuna, n.º 2, de Diciembre de 2017.
La Sopa Boba y los Sopistas (I). Revista Legajos de Tuna, n.º 3, de Junio de 2018.
La Sopa Boba y los Sopistas (II). Revista Legajos de Tuna, n.º 4, de Diciembre de 2018.
Acrescentaríamos, ainda, como documento comprovativo, a seguinte palestra (dada pelo mais reputado tunólogo hispano-americano):
- EL ORIGEN DE LAS TUNAS Y ESTUDIANTINAS I
- EL ORIGEN DE LAS TUNAS Y ESTUDIANTINAS II
Só persevera na ignorância quem quer!
sexta-feira, 30 de maio de 2025
PodcasTuna - um programa fora da caixa.
Estreou há 2 semanas um podcast único e inédito no mundo. Será , ao que tudo indica, o 1.º podcast produzido inteiramente por IA (Inteligência Artificial). Neste caso, um podcast em português (mas com legendas noutros idiomas) todo ele dedicado às Tunas/Estudantinas.
PodcasTuna é o seu nome e, pela amostra, está feito com critério e rigor (certamente fruto da utilização de programas que usam fontes fechadas e criteriosamente seleccionadas).
Uma emissão semanal (de curtíssima duração) que é transmitida exclusivamente no Youtube, todos os domingos às 15h00.
Cremos mesmo que podemos dizer que é um daqueles programas a não perder!
quinta-feira, 22 de maio de 2025
Recordando o blogue TÚNICAS
![]() |
| Imagem do blogue, do 1.º artigo publicado (21 de Maio de 2007) e da equipa do Túnicas. |
Obrigado pelo contributo e um abreijo amigo e saudoso.
segunda-feira, 5 de maio de 2025
25 Anos da Tuna Templária de Tomar
Aquela que é conhecida por "Tuna Templária" (Tuna do Instituto Politécnico de Tomar) nasceu, como muitas outras, de uma soma de vontades e experiências em outras agremiações, já lá vão 25 anos.
Um grupo com alfobre no grupo de serenatas "Rosas
Negras", e com o apoio da Tasca Cem Soldos[1],
deu ao mundo uma das mais conhecidas e simpáticas tunas da nossa comunidade e
cuja efeméride celebrou em gala evocativa, no passado dia 3 de Maio.

Dinamismo, saber fazer e saber estar são alguns dos atributos
da Tuna Templária de Tomar, a qual certamente muitos já viram ao vivo ou mesmo
na televisão (com aparições, por exemplo, nos programas da manhã), seja na
festa de aldeia seja em certames pelo país (ou naquele que organiza anualmente
desde 2003) ou conheceram através de um dos 3 CD que já editou[2].
A boa música e alegria contagiante são uma constante, assim
como a sua figura maior que é o José Rosado, um dos seus fundadores, mas
igualmente figura incontornável do panorama tunante, tendo, no passado, animado
um espaço totalmente dedicado a tunas, na Rádio Cidade de Tomar (com o seu programa
“Capas Negras”) e, desde 2003, sendo, a par de Ricardo Tavares, responsável
pelo portal PortugalTunas (e seu canal de TV), cujo labor e
importância dispensam adjectivos, para lá da sua participação nos ENT e como jurado em
dezenas de festivais. É, sem sombra de dúvida, o embaixador, por excelência, da Templária.
Parabéns, pois, à Tuna Templária de Tomar, pelo quarto de século agora
completado e votos de outros tantos anos assim: repletos de sucessos; e um
bem-haja por tudo quanto deram e dão, sempre sob o lema "Non nobis, Domine, non nobis, sed
Nomini Tuo ad Gloriam"[3].
[1] Tasca que se situa na aldeia de Cem Soldos (freguesia
da Madalena).
[2] E que estão repertoriados na página de FB do MFT (Museu Fonográfico Tuneril).
[3] "Não para nós, Senhor, não para nós, mas para
Glória de Teu Nome" - Salmo bíblico do rei de David e que constituía lema
dos Templários.
sexta-feira, 2 de maio de 2025
Pouca Inteligência e muita parvoíce artificial
Mas não fica por aqui. Quando se pede ao ChatGPT (versão gratuita) para elencar as obras e autores de referência sobre Tunas, chega a dar-nos um conjunto de títulos e nomes que nem sequer existem!
Fizemos essa experiência com outras IA e isso voltou a acontecer. Já não basta a IA não distinguir fontes credíveis que agora inventa obras e autores.
Mas há esperança: a IA da Microsoft, a "Copilot" conseguiu apresentar muitos resultados correctos, embora inicialmente tenha também caído no erro de fornecer obras e autores inexistentes.
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Tuna Universitária do Porto - um programa de 1937-38
Há já algum tempo que tencionava aqui partilhar este livrinho que encontrei há alguns anos, nas minhas deambulações investigativas pela BNP (Biblioteca Nacional de Portugal) e que pode ser encontrado na secção reservada à música.
É um documento histórico de que só haverá cópia pública consultável nos arquivos do OUP e/ou Biblioteca Municipal do Porto.
quinta-feira, 3 de abril de 2025
Jornadas sobre tunas: a tradição do erro e falta de rigor.
E não é com um rodízio de nomes (37) para encher a pseudo "Comissão Científica" que isso é garante. Alguns poucos (nem meia dúzia) são estudiosos reconhecidos e com obra publicada, mas o resto não tem qualquer pergaminho na investigação sobre Tunas. Mais: de fonte segura se sabe que nenhuma comunicação ou apresentação foi revista por essa "comissão" antes de ser publicada.
Isso é tanto verdade pelo simples factos de se repetirem erros grosseiros, como o de afirmar que as Tunas surgiram na idade média nas universidade de Coimbra e Salamanca. Uma afirmação falsa e sem sustento que é contradita por tunólogos que fazem parte dessa lista de nomes da "Comissão Científica", como Félix O. Sárraga (por exemplo na sua obra "Mitos y evidencia histórica sobre las tunas y estudiantinas", 2017), José Carlos Belmonte Trujillo (por exemplo na sua obra "Los Sones de la Estudiantina", 2022) ou Rui Filipe Marques (com "Tunas em Portugal - Espaços de construção, negociação e transformação social através da música", 2019).
Depois achar que as tunas "mantêm elementos históricos como hierarquias e rituais tradicionais" é falacioso, tendo em conta que a hierarquia centenária apenas existia na relação entre maestro e tunos (relação de trabalho) e, de forma colegial, com a existência de uma direcção (presidente, secretário, tesoureiro). Não existia qualquer outra hierarquia nem praxis nem rituais. Isso é coisa que surge em Espanha a partir dos anos 1950-60 e em Portugal a partir de finai sda década de 1980.
Afirmar que essa organização está frequentemente associada a valores de respeito é "de la Palisse", pois a relação de respeito sempre ocorreu na relação entre o maestro e os executantes (tunos) e com os cargos administrativos e não é um exclusivo de tunas.
Outra falácia e mentira é afirmar-se que a inclusão da mulher na Tuna (algo que sempre se registou desde o séc. XIX) promoveu a diversidade musical, como se fosse possível distinguir música feita por mulheres ou por homens! Diversidade tímbrica e alteração do objecto amado de mulher para homem é diferente de diversidade musical. Mais: afirma-se que a mulher na Tuna (ainda não perceberam que a Tuna não é uma realidade exclusiva do meio escolar) trouxe inovação... é só mesmo para engalar e "encher chouriços", porque não trouxe inovação alguma.
Mas quem não tem que dizer costuma gostar de "regar".
Interessante, igualmente, é a bibliografia do artigo (escolhemos apenas um) que, salvo prova em contrário, nem sequer existe:
Cáceres, M. T. (1999). La Tuna: Tradición y Cultura Universitaria. Madrid: Ediciones Akal. Nada se encontra na Net nem no site das edições Akal (nem mesmo no elenco de livros de Tunae Mundi)
Pereira, J. L. (2005). As Tunas Académicas em Portugal: História e Identidade Cultural. Coimbra: Almedina. Nada se encontra na Net nem sequer na BNP.
Silva, R. T. (2012). "Música, Tradição e Género: A Transformação das Tunas Académicas". Nada se encontra na Net nem sequer na BNP.
Revista Portuguesa de Musicologia, 7(2), 115-134. Nada se encontra na Net nem sequer no site da própria revista (pode apenas existir em versão em papel)
González, F. (2010). Tradiciones Académicas: La Tuna y sus Transformaciones Contemporáneas. Salamanca: Ediciones Universidad. Nada se encontra na Net nem no elenco de livros de Tunae Mundi)
Aliás é ver os temas apresentados e tratados nestas jornadas, ao longo destes anos para se perceber que se discute o "sexo dos anjos". Só falta falar da importância da roupa interior e da cor para uma boa actuação, o impacto do preço dos combustíveis no desempenho da tuna e outras ridículas temáticas.
Este é o 3.º artigo que se dedica a estas jornadas (depois de um em 2022 e outro em 2023). Optou-se por nada dizer em 2024, mas afirmar-se, em 2025, que as tunas nascem na idade média em Coimbra e Salamanca é vergonhoso e indigno de quem frequenta o Ensino Superior, ignorando as fontes e investigações mais recentes e disponíveis.
Infelizmente, é provável que mais artigos surjam, à velocidade com que nestas jornadas se debitam e valorizam disparates e fake news.
terça-feira, 18 de março de 2025
Recordando o blogue Tunos&Tunas
Certamente que alguns recordar-se-ão, ainda, de um blogue cuja passagem meteórica pelo tempo não passou, contudo, despercebida.
Trata-se do blogue "TUNOS&TUNAS" (não confundir com o FB Tunas&Tunos), cuja actividade se iniciou em Março de 2008 e se findou em finais de 2010.
![]() |
| O blogue "Tunos&Tunas" atribuía, semanalmente, a distinção "Posta de Semana", a artigos publicados na web. |
Um blogue cujo teor se caracterizava pelo humor, a ironia, a caricatura... num olhar sempre assertivo sobre a realidade e comunidade tuneril da época, pela mão do Tiago Alegre, Marcelo Trintão e Romeu Sereno.
Com humor (que alternava entre o soft e o negro), passava em revista o quotidiano e idiossincrasias da Tuna portuguesa, não esquecendo de esmiuçar e pronunciar-se, igualmente, sobre o que era produzido na web especializada (PortugalTunas e blogues que tratavam o fenómeno, entre outros).
Durou pouco, mas valeu o tempo que durou!
segunda-feira, 17 de março de 2025
Os 40 Anos da EUC - Estudantina Universitária de Coimbra
Serve este artigo para assinalar os 40 anos da EUC – Estudantina Universitária de Coimbra, fundada em 16 de Março de 1985, entre “copos e pevides”, e cujo alcance e importância, sobretudo na época do denominado “boom”, não tiveram igual.
É óbvio que
sou obrigado a destacar alguns nomes que me são mais próximos, mas que são
incontornáveis na história da EUC e aos ombros dos quais ela se alicerçou: António
Vicente, o grande criativo e a quem se devem os temas mais famosos do grupo, e Paulo Cunha Martins[1],
uma figura que, até ao seu desaparecimento, foi transversal a várias gerações,
mas sem esquecer, ainda, o António Manuel d’Oliveira e o meu dilecto João
Paulo Sousa, a que acrescento também (embora de uma geração bem posterior)
o António Neto.
São 40 anos
de bem fazer e de um percurso semeado de sucessos, espalhados por cerca de 30
países em 4 continentes, seja pela televisão, rádio ou na sua discografia (7 discos
e um DVD) e, especialmente, nos corações de quem gosta de boa música revestida
de capa e batina.
Parabéns e
obrigado, Estudantina Universitária de Coimbra, por 4 décadas inspiradoras e
ricas, com votos de que venham muitas mais.
sexta-feira, 14 de março de 2025
O direito à opinião não é respeitar-se a mesma ou quem a emite.
Em matéria de factos investigados e estudados, a opinião que um qualquer arrivista dá não tem de ser respeitada nem sequer se tem de tolerar uma argumentação pejada de ignorância, erros e imprecisões. O "achismo" não é opinião, mas apenas verborreia escatológica.
Opinião válida será sempre aquela que se baseia em factos
investigados, em fontes credíveis e com primazia para aqueles que produziram
essas mesma investigação ou assentam o discurso nessas mesmas fontes.
Não merece qualquer respeito uma opinião discordante dos
factos investigados, sem apresentação documentada e rigorosa do contraditório.
Factos são passíveis de ser actualizados apenas mediante novos factos
cientifica e historicamente comprovados.
A única coisa que deve ser respeitado é o direito que
qualquer um tem de ter opinião e de a emitir. Infelizmente, com o advento das
redes sociais, até o tolo da aldeia tem voz (como dizia Umberto Eco),quando
antes era logo remetido á sua insignificância académica. É a credibilidade do
emissor e/ou do conteúdo suportado em
factos reais que confere razão e fiabilidade na opinião dada.
Portanto, NÃO! A OPINIÃO DE OUTRÉM NÃO É ALGO QUE SE TEM
NECESSARIAMENTE DE RESPEITAR!
Muito menos temos de respeitar quem a emite, se essa pessoa o
faz assente em falácias, militante ignorância, evidente incompetência, e
teimando em não considerar aquilo que assenta na verdade.
A única coisa a respeitar é o direito a ter-se opinião. Cada
um tem o direito de achar a Terra plana; não pode é pretender fazer disso um
facto científico e espalhar mentiras como sendo ciência e facto.
E já que se falou em verdade, dizer que também é falácia dizer-se que ninguém tem a verdade, pois cada um tem "a sua". É cliché bonito, mas falso!
O que é facto é que a verdade não tem dono, mas verdade há só
uma, quando respeita a factos e a matéria objectiva.
Defender a verdade não é defender o que achamos, mas promover
e zelar para que o que é factual assim seja considerado e preservado,
independentemente de isso não nos agradar ou colidir com as nossas crenças,
valores, cultura, etc.
A verdade dos factos não é passível de interpretações que a
deturpem. A verdade não se interpreta: constata-se.
O que se interpreta e tenta compreender é o contexto, as razões, contornos e consequências de essa verdade
factual, mas jamais se pode, nem deve, distorcer - precisamente porque não somos
donos da verdade; não nos é lícito outra postura que não seja apresentá-la ipsis
verbis, tal qual.
Conhecer a verdade deve obrigar cada um a partilhá-la e a
lutar por ela contra a "fake new", por questão de moral, de civismo,
de honestidade.
Os que investigam estão mais perto dos factos, da verdade dos
factos. Os demais ou confiam nos que estudam ou devem eles próprios aferir com
rigor o que é dito pelos estudiosos. Quem prefere narrativas ficcionadas e
vive do "diz que disse", é precisamente o idiota da aldeia que se alimenta de teorias conspirativas, de mitos e se acha talhado e com propriedade para ter
uma opinião que deva ser ouvida!
Só que não! São precisamente esses a quem se deve dizer"
Pára de regar e vai estudar!".
Outro problema é o que surge como consequência da propagação de mitos, imprecisões e falsidades, produzidas por imbecis encartados que se acham com propriedade para emitir opinião (por vezes em jeito de facto - sobretudo com o argumento do "certos estudos dizem" ou "segundo certos estudiosos", mas que nunca são apresentados) e se elevarem à condição de gurus, de opinion makers...de influencers, como se diz hoje.
Outros, igualmente desconhecedores são circunstancialmente colocados perante a necessidade de fornecer informações/opinião (nomeadamente em entrevistas) e não são capazes de recusar 5 min de fama, aproveitando esse tempo para derramar equívos, imprecisões, erros.
O grosso da comunidade estudantil/tunante segue que tipo de informação, que tipo de fontes? A mais fácil de consumir (tipo "Big Brother" tuneril), a mais fácil de reproduzir (o boato, o cliché...) ou faz por fazer escolhas mais criteriosas?
A resposta todos a conhecemos... é factual (note-se)!





.png)
.png)










.png)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)






