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sábado, 27 de junho de 2026

Memória Tunante em retratos desbotados

Questão da preservação da memória é, como o leitor atento bem sabe, uma preocupação constante.

Por diversas vezes, já, quer em artigos[1] quer em palestras[2], levantei essa questão do pouco ou nenhum cuidado que as nossas Tunas têm em reunir, catalogar, preservar e divulgar o seu património histórico.

Essa questão volta à baile, desta vez a propósito dos espólios fotográficos e dos álbuns que as tunas tão orgulhosamente apresentam nas suas páginas online (especialmente no Facebook[3]), mas amputados de informação.

Com efeito, ao passarmos os olhos pelas dezenas e dezenas de páginas de tunas/estudantinas, quase temos a impressão de que todas elas nasceram fotograficamente nos últimos 20 anos (e até menos).  Mesmo tunas com mais de 3 décadas de existência revelam-se paupérrimas nesse capítulo. Uma ou outra ainda apresenta um “álbumzito” com fotos antigas, quase sempre sem legenda, sem datação, sem nada. Uma espécie de miscelânea de coisas enfiadas para canto a apanhar pó.


O leitor que se preste ao exercício de pesquisar por fotos de tunas fundadas nos anos 90 (sobretudo na primeira metade) referentes a essa época. É uma pobreza franciscana.

Isso revela não apenas desrespeito pela sua própria história, por quem os antecedeu, mas igualmente falta de visão em termos de promoção e valorização do grupo.

Para os investigadores, então, é o deserto quase total. Em cerca de 40 anos de fenómeno tuneril surgido do “boom” dos anos 1980-90, estamos, hoje (em 2026), perante falta de informação iconográfica essencial e que pode vir a perder-se irremediavelmente[4].

A fotografia é uma fonte documental riquíssima e primordial par ailustrar a história do fenómeno tuneril e todos, todos os membros da comunidade tunante (de ontem e de hoje) deveriam sentir-se implicados no cuidar, preservar e no manter acessível a informação histórica da sua Tuna, a qual não se resume a milhares de clichés ad hoc de um determinado momento, mas em manter registos de qualidade ao longo dos anos, desde a fundação.

Quando as tunas depois se queixam por que razão determinados artigos, trabalhos ou livros não apresentam fotos do seu grupo… a resposta é simples: porque não as têm acessíveis e identificadas online e/ou nem sequer colaboram quando se pede tal urbi et orbi[5].

A questão de preservação da memória, do património tunante, não é questão de somenos. Os dados, os documentos, as memórias, as fontes, os protagonistas….. devem ser estimados, valorizados e preservado o legado e riqueza desse testemunho temporal, porque sujeito à erosão irrevogável do passar dos anos.



[1] Cancioneiro Tunante português - Uma inexistência (artigo de 2 Abril 2007)

  O Efémero Tuneril (artigo de 2 Agosto 2019); Investigação Tuneril - Uma tarefa de, e para, todos (artigo de 28 Janeiro 2021)

[3] Única plataforma que permite organizar informação em secções, álbuns, categorias.

[4] Ou, em muitos casos, esse mesmo espólio deixar de ser catalogável porque se perdeu a memória da datação e contexto dos itens.

[5] Não poucas vezes, como se tem observado, porque vivem demasiado fechadas sobre si mesmas, até mesmo em termos de redes sociais (ignorando espaços como o PortugalTunas, o Tunas&Tunas, etc.). Há uns anos, foi ver a falta de adesão para repertoriar as tunas nacionais (que resultou, ainda assim, na obra QVOT TVNAS?, a qual apresenta uma margem de omissões reduzidíssima)