Recordar, hoje, uma figura ímpar da sociedade portuguesa de
inícios do séc. XX, de seu nome João Tamagnini de Sousa Barbosa (Macau, 1883 - Lisboa, 1948).
Pertencente a uma prestigiada família, com vários elementos
em destaque na vida militar e política[1],
merece especial menção pelo facto de ter sido membro fundador e presidente da
Tuna da Escola Politécnica de Lisboa, época em que estudava engenharia na
referida instituição.
Com efeito, e segundo já publicado sobre esta tuna[2],
exerceu as funções de Presidente da TAEPL nos anos de 1904, 1905 e 1906.
Vale a pena passar os olhos pelos feitos de uma vida recheada
de sucessos:
- Sob os governos de Sidónio Pais e João de Canto e Castro, foi ministro das Colónias (de 1917 a 1918), cargo que deixou a 15 de maio para se tornar ministro do Interior até 8 de outubro e, seguidamente, foi ministro das Finanças até 23 de dezembro;
- Foi presidente do Ministério
(atual primeiro-ministro) da I República, após o assassínio de Sidónio
Pais, de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919;
- A 15 de fevereiro de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo;
- Em 1920 foi feito Oficial da Ordem Militar de São Bento de Avis, tendo sido elevado a Comendador da mesma Ordem, a 5 de Outubro de 1926, e a Grande-Oficial, a 20 de junho de 1941;
- Foi deputado, presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques;
- Foi engenheiro-chefe em diversas repartições públicas de Moçambique;
- Foi director do Instituto dos Pupilos do Exército;
- Foi administrador das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade e da Companhia Carris de Ferro de Lisboa;
- Em 1927, após um período como deputado, foi transferido para a Madeira, vindo a ocupar, mais tarde, o lugar de Comandante Militar da Ilha Terceira;
- Fez parte da Maçonaria, tendo sido iniciado em 1911 na Loja Pátria e Liberdade, com o nome simbólico de Wagner. Foi igualmente grão-mestre da Maçonaria do rito escocês em 1933;
- A 19 de julho de 1946 foi feito Comendador Honorário da Excelentíssima Ordem do Império Britânico;
- Atingiu, militarmente, o posto de Brigadeiro;
- Foi eleito presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica para os anos de 1946/1947, no terceiro período de vigência de Manuel da Conceição Afonso;
- Pela demissão deste, a 30 de julho de 1946, passou para o cargo máximo do clube, o de presidente do SLB (o 18.º), tendo tomado posse no dia 25 de janeiro de 1947. Manteria o cargo até o dia do seu abrupto falecimento no ano seguinte, 1948;
Ainda uma referência futebolística
ligada ao SLB e outra ao FCP:
Bento Mântua, pertencente ao Grupo Dramático da Tuna da Escola
Politécnica, e que era irmão do seu regente, Alfredo Mântua[3],
já tinha, ele também, sido presidente do SLB (o 12.º), para além de cargos
ministeriais e obra como escritor e jornalista.
Paulo Pombo, membro ilustre do Orfeão Universitário do Porto e co-autor
do famoso tango “Amores de Estudante (autêntico hino académico portuense), foi o
27.º presidente do Futebol Clube do Porto[4].
Outros: personalidades da vida social, cultural, política e desportiva, ligadas
a tunas, há-as em vários locais, como é o caso (mais recente) de Joaquim José Pinto Moreira,
que foi autarca e igualmente presidente do Sporting Clube de Espinho, mas já
antes fora músico e dirigente na Tuna de Anta (Tuna Musical de Anta).
Mas fica para outras calendas e/ou outros emissores a
exploração e aprofundamento do assunto.
[1] Entre outros ilustres Tamagnini (Vd. Wikipédia; Defesa.gov.pt; Repositório Comum; Liga dos Combatentes... ), o seu irmão, ArturTamagnini de Sousa Barbosa (1881-1940), foi Governador de Macau por 3 vezes. Também fazem parte outros ilustres, como o
[2] SILVA,
Jean-Pierre - A Tuna Académica da Escola Politécnica de Lisboa - Vigência,
actividade e protagonistas. CoSaGaPe, Lisboa, 2021.
[3] Vd. SILVA,
Jean-Pierre - A Grande Tuna Feminina de Alfredo Mântua - Breve Contributo
Documental (1907-1913) e op.cit (2021)
[4] Vd. SILVA, Jean-Pierre - Tunas Y Fútbol. Documentário para a AHT – Academia de história da Tuna, in YouTube.
